O comportamento humano continua sendo o principal fator de risco nas estradas brasileiras, mas a falta de manutenção veicular vem ganhando destaque entre as causas de acidentes. Em 2025, falhas mecânicas e elétricas provocaram mais de 3,3 mil sinistros em rodovias federais, deixando mais de 2,3 mil feridos e resultando em 59 mortes, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os números reforçam o alerta em meio ao Maio Amarelo, movimento internacional de conscientização para redução de sinistros de trânsito, coordenado no Brasil pelo Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV).
De acordo com o levantamento da PRF, as falhas mecânicas ou elétricas ocupam a oitava posição entre as causas de acidentes nas rodovias de todo o país, sendo a primeira ocorrência sem relação direta com uma ação humana imediata. O problema aparece, inclusive, à frente de fatores como condições da pista ou defeitos nos pneus, o que evidencia o impacto da falta de revisão. Somente no Estado de São Paulo, essas ocorrências técnicas alcançaram o quinto lugar no ranking: em 2025, foram 236 sinistros, com duas mortes e 133 feridos.
Especialistas destacam que o veículo costuma dar sinais antes de uma falha grave, mas muitos motoristas ignoram esses alertas por falta de tempo, hábito ou informação. “Já acompanhamos diversas situações em que um pivô de suspensão danificado causou um acidente que, por pouco, não teve consequências mais graves”, relembra Claudio Santos, CEO da Blumo Mecânica Automotiva. A suspensão é apontada como um dos itens que mais influenciam na perda de estabilidade, mas não é o único componente que merece atenção.
Segundo Claudio, pneus, sistemas de amortecedores, freios e a parte elétrica também exigem cuidado redobrado para garantir a segurança nas estradas. “Pneus carecas ou com bolhas são os principais causadores de estouros em alta velocidade e aquaplanagem. Outra coisa que parece simples é a palheta do limpador: se estiver ressecada em uma tempestade, reduz a visibilidade a quase zero, elevando o risco de colisões”, explica o especialista.
Para ajudar o motorista a organizar os cuidados, um checklist básico de segurança pode servir de referência. A cada 10 mil quilômetros ou um ano, recomenda-se revisar o sistema de freios (pastilhas, discos e lonas), a suspensão (amortecedores, molas, buchas e terminais), além de realizar alinhamento, balanceamento e checar velas e filtros de óleo e ar. A cada 40 mil quilômetros ou dois anos, é indicada a troca do fluido de freio, a revisão do sistema de arrefecimento e a avaliação detalhada dos pneus. Já a correia dentada, item crítico para o funcionamento do motor, deve ser substituída em média a cada 50 mil quilômetros. Em intervalos mais curtos, é importante manter a calibragem em dia, testar as luzes de sinalização e observar o estado das palhetas dos limpadores.
Claudio Santos ressalta, porém, que esses prazos são médias de mercado e podem variar conforme o tipo de veículo e o uso. “O tempo de troca varia conforme o modelo, seja ele popular ou SUV, e o tipo de uso. O ideal é ter um plano de manutenção personalizado com um profissional qualificado. No trânsito, cuidar do próprio carro é, acima de tudo, um ato de respeito e cuidado com o próximo”, afirma.
Em 2026, o Maio Amarelo traz como tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”. A campanha destaca a empatia e a responsabilidade compartilhada, incentivando motoristas e pedestres a reconhecerem a vulnerabilidade dos demais usuários da via para evitar tragédias. Ao longo do mês, ações educativas em todo o país buscam reforçar a importância da manutenção preventiva, da direção responsável e da atenção constante como pilares para a redução de sinistros e a preservação de vidas no trânsito.






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