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Já ouviu falar em recall? Saiba porque esse termo vai estar no vocabulário dos motoristas brasileiros

Vez ou outra nos depararmos com anúncios de fabricantes de automóveis na TV ou no rádio que apontam para a necessidade do recall. O termo, que corresponde à necessidade de reparo ou troca de peças por defeito de fábrica, é uma prática considerada vital em todo o mundo para garantir a segurança no trânsito e evitar acidentes graves. A questão é que, no Brasil, poucos motoristas dão a devida atenção a estes anúncios e a esta necessidade — pelo menos até agora. A partir de janeiro de 2020, o brasileiro vai ter que dedicar atenção especial ao tema se não quiser que seu carro desvalorize rapidamente.

Isso porque uma portaria assinada no dia 1º de julho de 2019 pelos ministérios da Infraestrutura e da Justiça e Segurança Pública propõe grandes mudanças neste assunto. A principal delas é que, caso o proprietário não realize o reparo necessário no prazo de um ano, o aviso de recall estará presente no Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV). Além disso, a portaria prevê que a divulgação do chamamento também pode ser feita por meios eletrônicos, como redes sociais e sites.

A medida busca resolver o problema atacando em um ponto mais sensível aos motoristas: a valorização do carro em uma futura transferência. A partir do momento em que fica explicito nos documentos a necessidade de passar por um reparo, o futuro comprador certamente vai pensar duas vezes se concretiza o negócio — isso se não desistir por completo, uma vez que pode ocorrer a espera de peças, impedindo a revenda em um tempo hábil. Além disso, é a certeza de que aquele carro está sendo guiado em ruas e rodovias de forma irregular, colocado em risco a vida dos demais passageiros.

Mas como evitar a inscrição do recall nos documentos do automóvel e conseguir realizar a troca assim que o chamamento ocorrer? Por muito tempo, a única alternativa do motorista era ficar atento aos anúncios em grandes meios de comunicação e acompanhar notícias em mídia especializada. A boa notícia é que o avanço da tecnologia permitiu o desenvolvimento de aplicativos que conseguem reunir em uma mesma plataforma todas as campanhas realizadas no país. Assim, basta ao motorista cadastrar a marca, o modelo e ano de fabricação do carro para acessar esta base de dados e saber na hora se precisa levá-los à concessionária mais próxima ou de sua preferência — com possibilidade de agendar a manutenção dentro do próprio app.

A baixa adesão aos chamamentos das montadoras é um grave problema que precisa ser solucionado o quanto antes aqui no Brasil. Dados divulgados pelo próprio Ministério da Justiça e Segurança Pública, por exemplo, mostra que foram feitas 701 campanhas de recall no Brasil nos últimos cinco anos e 189 delas (27%) tiveram um nível de atendimento inferior a 10%, enquanto que 103 (14,6%) tiveram níveis entre 10% e 40%. Além disso, dos mais de 9,5 milhões de veículos chamados, menos da metade (48,2%) foram atendidos — nos Estados Unidos, esse índice é de aproximadamente 90%.

Hoje, com a quantidade de informação disponível e as inúmeras ferramentas que os motoristas possuem para auxiliá-los na gestão e manutenção do veículo, é inadmissível que o trânsito brasileiro ainda sofra com recalls não atendidos. A segurança em ruas e rodovias também envolve a conscientização das pessoas que trafegam nelas. Passou da hora de elevarmos os níveis de atendimento dos chamamentos, garantindo assim menos riscos à vida de todos os brasileiros.

* Vinicius Melo é CEO do Papa Recall – Aplicativo que avisa o motorista se o automóvel cadastrado teve algum chamado da fabricante para conserto ou troca de peças.

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